Mineiros, Brasileiros e leitores.

Assistimos esta semana a um longo e esperado acontecimento; o resgate dos mineiros no deserto do Chile. Parei para pensar em quantos momentos como este me trouxeram alguma emoção em minha vida. Consegui me lembrar do dia recente em que Zilda Arns, dentro de uma igreja, foi soterrada pelo terremoto no Haiti. Claro, aquela foi uma emoção que trouxe consigo a tristeza da perda de um notável ser humano, que literalmente com a mão na massa, salvou milhões de pessoas da morte prematura. Mas e quando vemos ao vivo pela tv ou web, o resgate de 33 pessoas soterradas a dois meses, 700 metros sob o solo em que pisamos ? Penso, ainda com a emoção fecundando meus olhos em como aqueles 33 homens sobreviveram uns aos outros estando em condições absolutamente precárias de vida. Penso em como o ser humano necessita estar sem o bem material para se lembrar de que o espírito comanda o corpo e nos dá força para ainda ter um resquício de fé. Sempre tive comigo uma teoria de que todas as pessoas deveriam passar por um “bom desastre” na cordilheira dos andes para aprender a respeitar limites, aprender a conviver com o diferente sem ter saída, enxergar o lado bom e amigo que todo ser humano têm dentro de sí e que têm melindre em mostrá-lo ao mundo. Raras são as vezes em que podemos, realmente, ajudar outras pessoas e mesmo assim, não o fazemos, ou quase fazemos. Semana passada recebi um e-mail de uma leitora do LigueLivros que falava sobre o nosso programa social, sobre o qual já falei em outra ocasião neste blog. Ela dizia que iria comprar uma nova TV pela web, mas que tinha dúvidas quanto a comprar pelo site do www.liguelivros.com.br com receio de que não fôssemos direcionar os 2% da compra dela para o programa social. Então respondi; Compre, mas compre fora do portal, porque pelo menos desta forma você saberá com certeza que não ajudou. E o mundo é assim; pessoas deixam de ajudar desconfiando do outro, ou quando ajudam, querem provas. As pessoas necessitam estar em uma mesma situação e sem acesso aos bens materiais para ajudar sem desconfiar do próximo, mesmo que isto nada lhe custe. Nossa sorte é que nem todos os nossos leitores e seguidores pensam como aquela senhora, pelo contrário sequer poderiamos pensar em um programa social, ou simplesmente ajudariamos sem dizer nada. Zilda Arns mostrou o caminho da cura, mas deixou a tarefa de fazer o soro a cargo das mães. Que fique a lição humanitária e incondicional do resgate destes homens. Que fique na prática o ensinamento de Zilda Arns. E é bom não esquecermos de que temos o livre-arbítrio de ajudar. Ou não. Boa semana a todos ! E boas leituras !

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